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Capítulo 5: Quem Manda Aqui

Uma semana depois, Charles Durdday atravessou as portas do escritório com a mente já focada nos relatórios da manhã. Mas, ao erguer os olhos, parou no meio da sala.

Uma mulher loira, de meia-idade, estava sentada na mesa da secretária.

— Bom dia, senhor Durdday — ela disse, com um sotaque local carregado. — Sou a nova secretária. A Sra. Campbell fez a transferência esta manhã.

Charles piscou. Uma vez. Duas vezes.

— Onde está a Srta. Madison? — a voz saiu mais cortante do que ele pretendia.

— Ela foi realocada para o setor de arquivos, senhor. A Sra. Campbell achou que...

Ele não esperou o fim da frase. Virou-se e marchou para o escritório, os passos ecoando no mármore. A porta bateu atrás dele com um estrondo que fez o quadro na parede tremer.

O telefone foi arrancado do gancho antes que ele pensasse duas vezes:

— Recursos Humanos — a voz do outro lado atendeu.

— Aqui é Charles Durdday. Quero saber quem autorizou a transferência da Srta. Madison sem minha aprovação.

— Senhor Durdday, a Sra. Campbell...

— Não me importa o que a Sra. Campbell fez. A Srta. Madison é minha secretária. Ela foi contratada para trabalhar comigo. E quero ela de volta na minha sala ainda hoje.

— Mas, senhor, a documentação já foi...

— Escute bem — Charles baixou a voz, mas o gelo nela era cortante. — Se a Srta. Madison não estiver sentada na mesa dela em uma hora, demito todo o setor de RH. Todos. Começando por você.

Silêncio do outro lado.

— Sim, senhor. Vou resolver imediatamente.

— E mais — Charles acrescentou, os dedos apertando o fone. — Quero um aumento salarial para ela. Plano de saúde completo. E um bônus de compensação pelo transtorno. Coloque isso na carta de retorno.

— Senhor, o orçamento...

— O orçamento sou eu. Faça.

Desligou sem esperar resposta.

Passou a mão no rosto, sentindo a tensão nos ombros. Mariana. Sempre Mariana. Ela nunca blefava, nunca recuava. Mas desta vez tinha ido longe demais.

Quarenta e cinco minutos depois, a porta do escritório se abriu.

Anne Madison entrou, o cabelo negro escapando do coque, os olhos azuis-cristalinos arregalados de surpresa. Ela segurava uma pasta contra o peito, como se fosse um escudo.

— Senhor Durdday? — a voz dela estava hesitante. — Disseram que o senhor pediu meu retorno.

Charles endireitou-se na cadeira, ajustando a gravata. O nó estava torto.

— Sente-se, Srta. Madison. Temos muito trabalho a fazer.

Ela hesitou por um segundo; depois, um sorriso lento brotou nos lábios dela.

— E a gravata, senhor? — ela perguntou, aproximando-se. — Está uma bagunça.

Antes que ele pudesse responder, os dedos dela já estavam no nó, ajustando-o com a precisão de quem já conhecia aquele gesto de cor. O toque foi rápido, mas Charles sentiu o calor subir pelo rosto.

— Pronto — ela disse, os olhos encontrando os dele. — Agora está apresentável.

— O café está na sua mesa — ele respondeu, a voz mais rouca do que gostaria. — E, Srta. Madison?

— Sim?

— Não desapareça de novo.

O sorriso dela se alargou:

— Não pretendo, senhor.

A tarde já se arrastava quando Mariana apareceu na porta do escritório, os olhos azuis brilhando com uma mistura de curiosidade e determinação. Ela vestia um vestido azul-claro que contrastava com o cinza sóbrio do ambiente corporativo e trazia nas mãos uma bolsa de couro que apertava contra o corpo como se carregasse um troféu.

— Charles — ela disse, entrando sem cerimônia. — Ouvi dizer que você causou um alvoroço hoje.

Charles ergueu os olhos do relatório, os dedos ainda apoiados sobre a mesa. O nó da gravata estava impecável, graças a Anne.

— Mariana. Que surpresa desagradável.

— Desagradável? — Ela sentou-se na cadeira diante dele com uma elegância que desafiava a idade. — Vim ver com meus próprios olhos o irmão que quase demitiu o RH inteiro por causa de uma secretária.

— Por causa de uma transferência não autorizada — ele corrigiu, a voz fria. — Você sabe muito bem do que estou falando.

— Sei — Mariana inclinou a cabeça, um sorriso provocador nos lábios. — E adorei cada segundo.

— Você quer ser demitida do cargo de irmã?

— Você não teria coragem — ela respondeu, rindo baixinho. — Quem cuidaria de você?

A porta se abriu antes que Charles pudesse responder. Anne entrou com uma bandeja, os passos firmes sobre o carpete. Ela colocou uma xícara de chá diante de Mariana e uma xícara de café preto na frente de Charles, tudo com a precisão de quem já conhecia os gostos de ambos.

— Srta. Madison — Mariana agradeceu, pegando a xícara. — Você é um anjo.

— É um prazer, Sra. Campbell — Anne respondeu, com um sorriso genuíno.

Charles tomou um gole do café, os olhos fixos na irmã:

— Tudo isso é culpa sua, Mariana. Se não tivesse metido o nariz onde não foi chamada...

— Culpa minha? — Mariana arqueou uma sobrancelha. — Eu só sugeri uma realocação.

— Exatamente.

Anne pigarreou, e ambos se viraram para ela. A secretária ainda estava ao lado da mesa, os braços cruzados sobre a bandeja vazia.

— Com todo o respeito, senhor Durdday — ela disse, a voz calma, mas firme. — Acho que o senhor está sendo injusto.

Charles piscou:

— Como disse?

— A Sra. Campbell não fez nada além de uma sugestão. A transferência foi aprovada pelo RH, a documentação estava correta. Se alguém deve ter autorizado, foi o senhor. — Ela sustentou o olhar dele sem hesitar. — O senhor já tem idade suficiente para assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas, em vez de colocar a culpa na sua irmã.

Mariana soltou uma risada alta, quase musical; estava surpresa.

— Charles! Ela é perfeita. Absolutamente perfeita.

O magnata franziu o cenho, mas não havia raiva em seus olhos. Apenas surpresa.

— A empresa inteira tem medo de você, Mariana. Você sabe disso.

— Medo de mim? — Mariana riu de novo. — Não seja ridículo.

— É verdade — Charles insistiu. — Todos sabem que você é a verdadeira força por trás do império.

Anne balançou a cabeça, um sorriso contido nos lábios:

— Não é possível que tenham medo de uma pessoa tão doce como a Sra. Campbell.

Mariana lançou um olhar triunfante para o irmão:

— Viu? Até sua secretária discorda de você.

Charles suspirou, passando a mão no rosto:

— Mariana, vá para casa. Você já causou problemas suficientes por hoje.

— Não posso — ela respondeu, com um sorriso inocente. — Vim visitar meu marido.

— Como o Márcio aguenta você? — Charles franziu o cenho.

— Por que você não pergunta a ele? — Mariana deu um gole no chá, os olhos brilhando.

Anne mordeu o lábio, tentando conter o riso. A cena era absurda: o magnata todo-poderoso sendo desmontado pela própria irmã, e ela ali, servindo chá, testemunhando tudo.

— Srta. Madison — Charles disse, sem olhar para ela. — Tem algo a acrescentar?

— Não, senhor — ela respondeu, a voz trêmula do esforço para não rir. — Acho que a Sra. Campbell já disse tudo.

Mariana ergueu a xícara em um brinde silencioso para Anne, e as duas trocaram um olhar cúmplice.

Charles respirou fundo, os dedos apertando a xícara de café:

— Isso vai ser um longo dia.

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