Eles por fim perceberam que a garota que haviam trazido de volta não era a Bruna dos seus sonhos. Ela se recusava a vestir vestidos brancos para tirar fotos, não abria um sorriso sequer diante de um bolo de aniversário, não ficava grudada no Jorge e, muito menos, comia a comida que eles preparavam com tanta expectativa. Qualquer abraço inesperado a deixava apavorada, e o cheiro de perfume lhe causava grande irritação. As cortinas da casa nunca podiam ser abertas por inteiro, e o volume da televisão precisava ficar sempre abaixo do nível vinte.No início, a mãe ainda tentava ter paciência, buscando acalmá-la com palavras doces. — Bruna, meu amor, a mamãe sabe que você sofreu muito naquele outro lugar, mas você precisa tentar se adaptar aos poucos. — Dizia ela, buscando uma aproximação.Bruna, no entanto, apenas cobria os ouvidos com as mãos e afundava o rosto na almofada do sofá. — Eu sempre fui desse jeito, vocês é que nunca tentaram se adaptar a mim. — Respondeu ela, com a voz abafa
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