Às seis e quinze da manhã, Helena Montenegro já estava diante das portas de vidro da empresa que carregava o nome de sua família.Por alguns segundos, permaneceu parada, observando o reflexo no vidro.A mulher que via ali parecia diferente da jovem que, anos atrás, entrava naquele mesmo prédio acompanhando o pai, cheia de sonhos e planos para o futuro.Agora, ela carregava olheiras de noites mal dormidas, uma pasta cheia de documentos e uma responsabilidade que parecia grande demais até para os seus próprios ombros.A Montenegro Alimentos não era apenas uma empresa.Era a história da sua família.Era o sonho de Augusto Montenegro, seu pai.E agora estava em suas mãos.Helena respirou fundo antes de entrar.— Bom dia, senhorita Helena.A voz de Dona Célia, a recepcionista, fez com que ela sorrisse.— Bom dia, Célia.A senhora de cabelos grisalhos sorriu, mas Helena percebeu imediatamente que havia preocupação em seus olhos.— O senhor Ricardo está esperando na sua sala.Helena segurou
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