Capítulo 8 — A Tempestade A tempestade chegou sem aviso, do jeito que as piores sempre chegam. Eu estava lendo no meu quarto quando os primeiros trovões começaram a sacudir as janelas, o céu escurecendo cedo demais para aquela hora da tarde. Em poucos minutos, a chuva caía com uma força que fazia o telhado inteiro reclamar, e a luz piscou uma vez, duas vezes, antes de morrer completamente. Escuridão total. Levantei-me às cegas, tateando pela cômoda em busca do celular, mas antes que eu encontrasse, ouvi passos apressados no corredor e vozes abafadas — Ricardo gritando alguma coisa sobre o gerador, minha mãe respondendo em pânico. Abri a porta do quarto e esbarrei direto em alguém. — Cuidado — a voz de Felipe soou perto demais, as mãos dele segurando meus braços para me estabilizar no escuro. Eu sentia o calor do corpo dele, a respiração próxima, e por um segundo nenhum dos dois se afastou. — O que está acontecendo? — perguntei, a voz mais baixa do que pretendia. — Tempestade f
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