Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 7 — Ciúme
Thiago estava esperando na entrada quando voltamos. Ele não disse uma palavra ao nos ver chegar juntos, mas o silêncio dele era mais alto que qualquer grito. Encostado no batente da porta, braços cruzados, os olhos escuros alternando entre mim e Noah com uma intensidade que fez o ar ficar pesado instantaneamente. — Divertida a noite? — ele perguntou, a voz enganosamente calma. — Foi só o clube, Thiago — Noah respondeu, passando por ele sem se abalar. — Relaxa. — Não me diga pra relaxar. — A voz de Thiago finalmente perdeu o controle, mais alta do que eu tinha ouvido antes. — Você a levou pro clube. Sabe o que as pessoas vão falar. — Que eu me importo com o que as pessoas falam? — Noah parou, se virando para encarar o irmão, algo perigoso substituindo o charme habitual. — Ela não é sua propriedade, Thiago. Nem minha. Ela pode ir aonde ela quiser. — Isso não é sobre propriedade — Thiago retrucou, os punhos cerrados. — É sobre... — Ele parou, a frase morrendo antes de terminar, como se tivesse percebido tarde demais para onde ela estava indo. — Sobre o quê? — pressionei, incapaz de me conter. O silêncio que se seguiu foi elétrico. Thiago me encarou, algo cru e desprotegido cruzando seu rosto antes que ele conseguisse reconstruir a barreira habitual. — Sobre nada — ele disse finalmente, a voz áspera. — Esquece. Ele se virou e entrou em casa, os passos pesados ecoando pelo corredor, deixando Noah e eu sozinhos na entrada. — O que foi isso? — perguntei, olhando para Noah em busca de respostas. — Thiago sendo Thiago. — Mas havia algo tenso na voz de Noah também, algo que ele tentava esconder atrás da leveza de sempre. — Não liga. Mas eu ligava. Porque, pela primeira vez, eu tinha visto algo genuíno no rosto de Thiago — não raiva pura, mas uma mistura confusa de ciúme e algo mais profundo que ele claramente não sabia como processar. Subi para o quarto sozinha, a cabeça girando com tudo o que tinha acontecido naquela noite. O quase-momento com Noah no carro. A explosão de Thiago na porta. E, pairando sobre tudo isso, a ausência silenciosa de Felipe, que eu nem sabia se tinha percebido minha saída. Encontrei-o no corredor, exatamente onde eu menos esperava. — Onde você estava? — Felipe perguntou, a voz controlada demais para ser casual, parado à porta do próprio quarto como se estivesse esperando por mim. — No clube. Com Noah. Algo passou pelos olhos dele — rápido, mas inconfundível. — Entendo. — Você não parece surpreso. — Eu ouvi Thiago gritando lá embaixo. — Um músculo se contraiu na mandíbula de Felipe. — Não é difícil juntar as peças. — Você também vai me dizer pra ficar longe dele? — perguntei, cansada de repente daquele padrão que se repetia entre os três irmãos. — Não. — Ele deu um passo à frente, a voz mais baixa. — Eu vou te dizer pra ficar longe de todos nós. Mas já percebi que você não vai ouvir esse conselho de ninguém. — Talvez porque nenhum de vocês realmente queira que eu ouça. O silêncio que se seguiu foi carregado, os olhos de Felipe presos aos meus com uma intensidade que fazia meu coração bater descontrolado. — Boa noite, Elisa — ele disse finalmente, a voz rouca, quase um esforço visível de se controlar. — Antes que eu diga alguma coisa da qual vou me arrepender. Ele entrou no próprio quarto e fechou a porta, deixando-me sozinha no corredor escuro, o coração batendo tão forte que eu quase conseguia ouvi-lo. Três irmãos. Três reações diferentes à mesma noite. E eu, no meio de tudo aquilo, começando a entender que a linha entre hostilidade e desejo, naquela casa, era perigosamente fina.






