O cansaço, naquele dia, não era só físico. Laura mexia uma panela distraída, olhando para o vapor subir como se pudesse desaparecer junto com ele. Os pedidos continuavam chegando, as vozes ecoavam pela cozinha, os pratos batiam uns nos outros — tudo igual. Mas ela não estava igual. Algo dentro dela tinha mudado. Talvez fosse o acúmulo de dias sem pausa. Ou a sensação de estar vivendo uma vida que não era exatamente sua. Ou, quem sabe, o medo silencioso de que, se continuasse ali, nunca teria coragem de sair. — Laura! — chamou o chef. — Atenção nisso aí! Ela piscou algumas vezes, voltando para o presente. — Desculpa. Mas, no fundo, sabia que não era distração. Era limite. Naquele mesmo dia, durante o breve intervalo, ela tomou uma decisão. Não pensou demais — se pensasse, desistiria. Caminhou até a sala do chefe com o coração acelerado. Bateu na porta. — Entra. Ele nem levantou os olhos no primeiro instante. — Preciso falar com você — disse Laura, firme, embora suas mãos
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