Ela caminhou pelas ruas por muito tempo. A cidade continuava brilhando, indiferente. Restaurantes estavam cheios, casais riam nas mesas externas, carros passavam deixando rastros de luz sobre o asfalto molhado. Mariana segurava a mala com força, os dedos doloridos, mas não conseguia parar. Se parasse, talvez desabasse. E ela já havia aprendido, ainda muito jovem, que algumas quedas precisam esperar a criança dormir.Só chorou horas depois, sentada em um banco de praça quase vazio. A aliança estava na palma da mão, embora não soubesse em que momento a pegara novamente da cômoda. Observou aquele círculo dourado como quem encara uma promessa morta. As lágrimas caíram sem barulho, uma após a outra, molhando seus dedos. O corpo inteiro tremia, mas não era apenas pela traição. Era pela repetição cruel da vida. Outra vez um futuro desabava diante dela. Outra vez um homem escolhido para permanecer escolhia feri-la. Outra vez ela precisava juntar os pedaços e seguir.Mas, dessa vez, não era
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