A casa de Bento e Rosa parecia menor do que Mariana se lembrava, mas, ao mesmo tempo, carregava uma grandeza que nenhum apartamento da cidade jamais havia conseguido ter. As paredes brancas, já marcadas pelo tempo, recebiam a luz dourada da tarde com uma suavidade quase antiga, enquanto as janelas azuis permaneciam abertas para deixar entrar o vento morno que vinha dos pastos. O cheiro de terra, lenha, café e bolo assando atravessava todos os cômodos como uma lembrança viva, alcançando Mariana antes mesmo que ela cruzasse a porta da cozinha. Por um instante, ela parou no batente e sentiu o corpo inteiro reagir àquele lugar. Os dedos apertaram a alça da bolsa, a garganta fechou e os olhos arderam. Ali, tudo parecia dizer que ela tinha demorado demais para voltar.Miguel entrou primeiro, ainda segurando a mão de Rosa. O menino caminhava devagar, olhando para todos os lados com uma curiosidade encantada, como se tivesse acabado de entrar em um mundo que só conhecia pelas histórias da
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