O ar condicionado do quarto, um modelo antigo encravado na parede, rugia como uma turbina de avião, expelindo um sopro gélido que fazia as paredes de metal fino tremerem. Eu estava sozinha. Apenas eu, a escuridão absoluta e o som da respiração errática de Gael.Ele começou a tremer. Não era o tremor da dor, mas o sacudir violento e incontrolável da febre, um frio que vinha de dentro, dos ossos, do trauma de ter sido quebrado. Seus dentes batiam uns contra os outros, um som seco e constante que me dava agonia. O cobertor do motel — um pedaço de tecido sintético, áspero e fino que mal servia para cobrir o colchão — era uma piada contra a tempestade que assolava o corpo dele.Toquei a testa de Gael. Estava fervendo. Sua pele parecia um ferro em brasa, mas o resto do corpo, escondido sob aquela camada de poliamida barata, estava congelando."Gael?", chamei, tentando tirar uma resposta dele.Ele não respondeu. Apenas soltou um gemido baixo, os olhos movendo-se rapidamente sob as pálpebras
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