A cidade era menor do que eu esperava e maior do que eu precisava.Levei quarenta minutos a pé pelo caminho de terra até chegar no asfalto, e mais vinte seguindo a estrada até as primeiras casas aparecerem, baixas, coloridas do jeito específico do interior, com grades nas janelas e cachorros deitados nas calçadas que me olhavam passar com uma indiferença total que eu achei reconfortante. Não havia placa com o nome da cidade na entrada, ou havia e eu não vi, e decidi que não precisava saber o nome para encontrar uma farmácia.Encontrei na terceira rua.Era pequena, com uma cruz verde desbotada na fachada e uma porta de vidro que chacoalhava no trilho quando abri. Cheirava a ar-condicionado fraco e a esse cheiro específico de farmácia de interior que é igual em todas as farmácias de interior do país, talco e plástico e alguma coisa vagamente medicinal que não tem nome.Havia uma mulher atrás do balcão, uns sessenta e poucos anos, cabelos brancos curtos, óculos de armação vinho na ponta
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