"Esse trecho do cerrado é um inferno, Dr. Renato. Nem sinal de rádio, nem satélite", reclamou o motorista, os olhos fixos no retrovisor enquanto cortávamos o asfalto a cento e dez quilômetros por hora. "Se o helicóptero do Dr. Augusto atrasar no ponto de extração, a gente vai ficar vendido na rodovia.""O Augusto nunca atrasa, Severino", Renato respondeu, a voz carregada daquela arrogância limpa de quem está acostumado a comprar soluções. "Foca na direção. Quanto mais rápido tirarmos essa garota daqui, mais rápido vocês veem a cor do resto do dinheiro.""A garota tá bem acordada", resmungou Marcos, o brucutu no banco do passageiro, tocando o curativo no antebraço onde eu havia cravado os dentes mais cedo. "Se ela der trabalho na hora de embarcar no helicóptero, eu apago ela de novo. Com ou sem autorização do velhote.""Ela não vai dar trabalho nenhum", Renato disse, virando o rosto para me olhar por cima do ombro com um meio-sorriso frio. "Vai, Isadora? Você já fez o seu showzinho por
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