A foto antiga ficou aberta na tela.Eu na porta da minha casa, de sandália simples, short jeans e camiseta larga, segurando uma sacola de mercado numa mão e o celular na outra. Cabelo preso de qualquer jeito, cara de calor, nenhum sinal de vestido vinho, aliança, empresa, discurso ou sobrenome composto.Era uma foto comum, por isso mesmo doeu. Porque não tinha nada de errado nela. Nada. Era só eu. Eu antes daquela casa, antes de Rafael, antes de virar pauta. E, ainda assim, a mensagem queria transformar aquilo em vergonha.“Quero ver quando lembrarem de onde você veio.” A raiva veio primeiro. Graças a Deus. Se viesse tristeza, eu talvez desabasse ali mesmo no escritório de Rafael, e eu me recusava a chorar com parede de vidro por perto.— Lia — Rafael chamou.A ligação com Augusto ainda estava aberta, mas ficou em segundo plano. Rafael devia ter ouvido minha respiração mudar. Claro que ouviu. O homem captava colapso emocional pelo ar.— Chegou uma mensagem — falei.Minha voz saiu estr
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