Acordei segurando a mão de Rafael. Não encostada por acidente. Não quase. Segurando mesmo. Dedos entrelaçados, palma quente, aquela intimidade silenciosa ocupando o meio da cama como se pagasse aluguel.
Fiquei imóvel. Meu primeiro instinto foi soltar rápido, fingir que nada tinha acontecido e talvez culpar o sono, a gravidade, o colchão importado ou algum fenômeno magnético da família Montenegro. Mas Rafael estava acordado. Claro que estava.
— Bom dia — ele disse.
A voz veio baixa, rouca de son