As minhas palavras ainda flutuavam no espaço milimétrico entre as nossas bocas, pesadas, exigindo uma resposta que ele parecia não ter forças para dar. O silêncio de Frederico durou apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade.Ele não respondeu com palavras.Antes que eu pudesse recuar, a mão dele que estava espalmada na parede subiu para a minha nuca, os dedos se enroscando no meu cabelo com uma urgência cega, possessiva. Frederico colou seus lábios nos meus em um beijo avassalador, faminto, que interrompeu qualquer vestígio de lógica na minha mente. Era um misto de desespero e alívio. Minhas mãos, que antes tentavam empurrá-lo, traíram-me instantaneamente, agarrando o tecido do terno dele enquanto o aroma de sândalo e fumo suave me entorpecia. Ele me puxou ainda mais contra o seu corpo, e por alguns segundos o mundo lá fora simplesmente deixou de existir.Quando ele finalmente afastou a boca da minha, sua respiração estava completamente descontrolada, a testa colada à minha. Seus o
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