POV AMÁLIAA primeira coisa que senti foi o balanço violento da carruagem, como se o mundo tivesse decidido me arrastar para algum lugar sem se importar se eu chegaria viva, mas aquilo não era novidade pra mim. Abri os olhos no escuro, sufocada pelo cheiro de madeira velha, flores esmagadas e tecido novo, e por alguns segundos achei que ainda estava no porão. O vestido branco me apertava as costelas, grande demais nos ombros, muito apertado na cintura e pesado demais nas pernas. Tentei me mexer, mas a saia ficou presa, o véu caiu sobre meu rosto e o espartilho roubou o pouco ar dos meus pulmões. Só quando empurrei a porta e ela não abriu, entendi o que estava acontecendo.— Abram! — gritei, batendo a palma da mão contra a madeira. — Por favor, eu não consigo respirar! Me ajudem!Ninguém respondeu. A carruagem continuou correndo, jogando meu corpo de um lado para o outro. Bati outra vez, e de novo, e de novo, até os nós dos meus dedos arderem e meus punhos sangrarem, e do lado de fora
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