LaraO salto do meu sapato já estava me matando antes mesmo da metade do turno começar, mas reclamar não pagava boleto, então continuei sorrindo como se aquele vestido preto apertado, aquele coque impecável e aquelas quase dez horas em pé fossem exatamente o que eu sonhava para a minha vida.O Hotel Royal Paradise era o tipo de lugar onde tudo brilhava demais. Os lustres gigantes refletiam luz dourada no mármore polido, os garçons caminhavam como se ensaiassem uma coreografia silenciosa e os hóspedes pareciam pertencer a outro mundo, um onde ninguém precisava olhar preço no mercado ou fingir que estava tudo bem quando a geladeira ficava vazia no final do mês. E eu sempre pertenci ao outro lado.Ao lado das contas atrasadas, do ônibus lotado e dos extras desesperados que eu aceitava sempre que o telefone tocava.A verdade era que eu já nem fazia mais parte oficialmente da equipe do hotel. Tinha sido dispensada fazia quase quatro meses, depois de um corte absurdo de funcionários, mas eu
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