Depois daquela manhã do café derramado, minha vida ficou objetivamente igual. As aulas continuaram. Os trabalhos continuaram. As provas continuaram. O mundo continuou girando exatamente como antes. O problema era que eu não. Eu continuava pensando na conversa de três minutos com Gabriel. Três minutos. Era vergonhoso. Eu sabia disso. Mas, toda vez que lembrava do sorriso dele ou do jeito como havia me ajudado sem pensar duas vezes, alguma coisa dentro de mim ficava mais leve. Como se eu tivesse recebido uma prova de que ele realmente era a pessoa que eu imaginava. O que, olhando para trás, foi meu primeiro erro. Eu vivia procurando confirmações. Nunca procurando defeitos. Algumas semanas depois, Sofia apareceu na minha mesa durante o intervalo. Ela tinha aquela expressão que sempre significava problema. — O que foi agora? — Preciso de uma acompanhante. — Para onde? — Evento beneficente da universidade. — Não. — Por favor. — Não. — Vai ter comida grátis. Pensei
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