A chuva ainda caía forte quando eu a levantei do chão. O corpo dela estava pesado de cansaço, encharcado, coberto de lama, mas ao mesmo tempo tão leve nos meus braços, como se, pela primeira vez, ela tivesse deixado cair toda a armadura que carregava desde o dia em que chegou aqui. Apoiei o rosto dela contra o meu peito, sentindo o calor que conseguia sair através da roupa molhada, e apertei-a mais contra mim, sentindo uma mistura de alívio por tê-la encontrado viva e uma angústia apertando o peito por ela ter se arriscado daquele jeito.Caminhei devagar até o cavalo, montei com ela ainda nos meus braços, e voltei para a casa. Cada passo do animal parecia muito rápido, muito lento, tudo ao mesmo tempo. Eu só queria chegar, tirar ela daquele frio, secar cada pedaço dela, ter a certeza de que ela estava bem, segura, sem perigo.Quando entrei, ninguém nos viu. A casa estava quieta, como se todo o mundo tivesse se escondido da tempestade. Subi as escadas sem pressa, sentindo o cheiro de t
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