GABRIEL MONTENEGRO O brilho da tela do celular parecia um farol de interrogação no meio da escuridão daquela sala. Camila. O nome piscava como um aviso. Melissa me encarava com aqueles olhos que costumavam ser meu porto seguro e que, agora, eram trincheiras de guerra. Eu não queria atender, mas o silêncio dela era um julgamento pior do que qualquer grito.Peguei o aparelho e atendi no viva-voz, sem tirar os olhos de Melissa.— Gabriel? Onde diabos você se meteu? Você sumiu, ninguém sabe de você, os seguranças não atendem... — A voz de Camila saiu histérica do outro lado, estridente e carregada de pânico egoísta. — Você me deixou aqui sozinha, Gabriel! O que você pensa que está fazendo?Senti uma onda de nojo subir pela garganta. Melissa estava parada a um metro de distância, estátua de gelo, ouvindo cada palavra. Minha paciência com a vida que eu levei nesses seis anos, cercado por mentiras e interesses, evaporou.— Achei que você tivesse ido com o cara que estava te fodendo ontem, C
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