O calor do beijo na varanda ainda queimava nos meus lábios quando as portas de vidro se fecharam atrás de nós. O silêncio do quarto principal era pesado, quase sagrado. Ali dentro, não havia os fantasmas de Helena, a sombra ameaçadora de Daniel ou as garras da Sterling Corp. Havia apenas nós dois. E o peso invisível de um papel assinado que dizia que, em menos de doze meses, nós deixaríamos de existir um para o outro.Victor deu um passo atrás, rompendo o contato físico, mas seus olhos mel escuro continuaram cravados nos meus, intensos, decifrando cada linha do meu rosto. A respiração dele estava audível, compassada, mas profunda.— Se dermos esse passo, Isadora... — a voz dele veio rascante, cortando a penumbra. Ele não terminou a frase, mas o subtexto flutuou entre nós: as regras mudam.— Eu sei — respondi, o peito subindo e descendo rapidamente. Meu coração parecia bater na garganta. — Nós cruzamos linhas antes, Victor. Nós... — Minha voz falhou ao lembrar dos toques às escuras, d
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