A mão pesada de Victor continuava entrelaçada à minha, a palma quente trazendo um contraste reconfortante contra a minha pele ainda fria. O bip do monitor cardíaco preenchia o quarto em um ritmo finalmente constante, um som que nas últimas horas fora o meu único ponto de apego ao mundo real. Eu observava os detalhes do seu rosto, a sombra da barba por fazer, a palidez que aos poucos cedia lugar à sua cor natural, e me permitia, pela primeira vez no dia, soltar o ar que parecia preso no meu peito.Contudo, os olhos de Victor, perspicazes e analíticos mesmo sob o peso do cansaço pós-operatório, não se desviavam de mim.— Você está pálida, Isadora... — a voz dele saiu como um arranhão seco na garganta, baixa e pausada. O polegar dele subiu devagar, roçando a linha do meu maxilar com um afeto de quem tenta decifrar um mistério. — Seus olhos estão fundos e você está trêmula. Não tente me dizer que é apenas o cansaço da reunião no conselho. Tem algo mais acontecendo... Algo que você está gu
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