Quando o último carro deixou o estacionamento do Orfanato Santa Luz e o silêncio voltou a ocupar lentamente os corredores da antiga construção, a irmã Cecília permaneceu alguns minutos parada diante da janela do seu pequeno escritório. A luz do entardecer entrava suavemente pelas venezianas de madeira, desenhando longas faixas douradas sobre o piso gasto pelo tempo. Lá fora, o jardim começava a ser coberto pelas sombras das árvores, enquanto algumas crianças ainda brincavam sob o olhar atento das cuidadoras. Era um fim de tarde tranquilo, semelhante a tantos outros que viverá ao longo de décadas dedicadas àquele lugar. Ainda assim, alguma coisa parecia diferente. Havia uma inquietação silenciosa em seu peito, uma sensação persistente de que acontecimentos antigos começavam, finalmente, a pedir passagem para voltar à superfície.Desde a chegada de Ayla, essa sensação só aumentava.A freira havia tentado convencer a si mesma de que tudo não passava de uma coincidência. Afinal, crian
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