Ayla não sabia por que as mãos tremiam tanto quando estacionou diante do Orfanato Santa Luz. Era apenas uma visita institucional, repetiu para si mesma, apenas o início de um projeto social que levaria oficinas de confeitaria, lanches especiais e pequenas celebrações para crianças que precisavam de afeto tanto quanto de comida. Mesmo assim, havia algo no portão antigo, nas grades pintadas de branco, nas árvores inclinadas sobre a calçada e no aroma de terra úmida, que parecia tocar uma parte escondida de sua memória. O céu estava claro, mas o ar carregava uma delicadeza triste, como se aquele lugar guardasse histórias demais entre suas paredes. Elisa desceu do carro ao lado dela carregando uma caixa de macarons coloridos e observou a amiga com atenção. Aprendera a reconhecer quando Ayla estava prestes a se partir por dentro, mesmo que seu rosto permanecesse elegante e controlado. Naquela manhã, Ayla usava um vestido creme discreto, os cabelos presos em um coque baixo e uma express
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