Gael permaneceu imóvel.O tempo pareceu desacelerar enquanto seus olhos continuavam presos ao rosto da menina. Não havia qualquer lógica na inquietação que sentia. Crianças nunca lhe despertavam aquele tipo de reação. Sempre fora educado, respeitoso e generoso em ações beneficentes, mas mantinha naturalmente uma distância emocional. Com Lívia, porém, algo diferente acontecia. Talvez fossem os olhos. Talvez a serenidade incomum para alguém tão pequena. Talvez apenas a maneira como ela o observava, sem medo, mas também sem a espontaneidade curiosa das outras crianças.Lívia, por sua vez, sustentava aquele olhar com uma intensidade silenciosa. Não sorria. Também não demonstrava receio. Era como se tentasse descobrir por que aquele homem desconhecido provocava uma sensação tão estranha dentro dela. Havia alguma coisa familiar em seu rosto. Não uma lembrança concreta, porque não existiam lembranças. Apenas uma impressão delicada, impossível de explicar, que fazia seu coração bater um
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