A maternidade parecia pertencer a outro mundo naquela manhã. A tempestade da noite anterior havia desaparecido, dando lugar a um céu claro e a uma luz suave que atravessava as enormes janelas do hospital, espalhando reflexos dourados pelos corredores impecavelmente limpos. O cheiro de antisséptico misturava-se ao perfume das flores deixadas por familiares e amigos nos quartos das novas mães. Enfermeiras caminhavam de um lado para o outro com passos apressados, médicos conversavam em voz baixa e, ao longe, o choro de alguns recém-nascidos criava uma melodia que simbolizava vida, esperança e recomeço. Para quase todas as pessoas naquele lugar, aquele era um ambiente de felicidade. Mas para Lavínia Albuquerque, cada som parecia uma provocação cruel, cada sorriso parecia um insulto e cada bebê carregado nos braços dos pais parecia um lembrete doloroso daquilo que ela jamais teria.Ela caminhava lentamente pelo corredor do terceiro andar, usando um conjunto elegante de alfaiataria cla
Ler mais