Poucos minutos depois, a fumaça começou na ala superior.Primeiro, discreta.Depois, densa.As chamas encontraram cortinas, madeira, tecido, lembranças. O quarto do casal foi tomado com rapidez assustadora. O fogo lambeu a cama, as fotos, as cartas, o vestido jogado sobre uma poltrona, os vestígios cuidadosamente deixados para contar a história que o mundo deveria acreditar.Dona Lídia gritou pelos empregados.A casa entrou em pânico.Seguranças correram. Alarmes dispararam. Janelas foram abertas. Alguém chamou os bombeiros. Outro tentou subir e recuou tossindo, vencido pela fumaça escura que engolia o corredor.“Dona Helena!”, uma funcionária gritou. “Ela estava no quarto!”Dona Lídia fechou os olhos.Não corrigiu.Não podia.Enquanto a mansão ardia, Helena estava em um apartamento pequeno, longe dali, sentada na beira de uma cama impessoal. O celular sem rastreamento repousava ao lado de sua mão. A televisão estava ligada sem som, mostrando imagens aéreas da região nobre da cidade.
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