Helena passou a manhã seguinte abrindo gavetas que, durante anos, haviam parecido apenas parte da rotina.A gaveta do aparador onde ficavam os documentos da casa. A gaveta lateral do escritório onde Dante guardava papéis que pretendia revisar e nunca revisava. A pasta cinza com contratos de imóveis, notas fiscais, cópias de passaportes, procurações antigas, recibos de viagens. Tudo parecia comum demais para a gravidade daquele momento. Como se uma vida inteira pudesse ser reduzida a papéis dobrados, assinaturas, datas e carimbos.Ela fotografou o que precisava. Separou cópias. Guardou arquivos em uma nuvem segura, conforme Marcelo havia orientado. Fez tudo com calma, recolocando cada item no mesmo lugar.A casa estava silenciosa.Dante havia saído cedo para uma reunião e, antes de ir, beijara a testa dela como se aquela pequena ternura pudesse apagar a rachadura entre os dois.“Hoje volto cedo”, dissera.Helena apenas assentiu.Já não perguntava se ele prometia.Promessas, agora, tinh
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