Na sexta noite sem dormir, o corpo decidiu parar. Porque a mente humana suporta muitas coisas: pressão, culpa, medo, solidão. Mas ninguém consegue lutar contra tudo ao mesmo tempo para sempre e em algum momento, alguma coisa quebra.O dia começou como qualquer outro.Gustavo chegou cedo à empresa, mais cedo do que todos, como sempre.Terno impecável, postura perfeita, expressão controlada. A imagem do homem que tinha tudo sob controle, uma mentira muito bem construída.Ele estava em uma reunião quando aconteceu. Uma sala cheia: executivos, gráficos, números, investidores.Alguém falava sobre prejuízos, outro sobre a queda das ações, outro sobre a próxima coletiva, as vozes começaram a se misturar e então, alguma coisa mudou.A gravata apertou ou talvez estivesse apertada desde o início, o ar pareceu mais quente, a sala menor, as vozes mais altas.Gustavo piscou uma vez, duas, tentando se concentrar. Não conseguiu.O coração acelerou rápido demais, a respiração falhou. Não. Não agora.
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