SamantaO som da tranca deslizando no metal ecoou no quarto com uma sobriedade quase solene.Girei nos calcanhares e encarei Lorenzo. Ele permanecia de pé perto do centro do cômodo, tenso, os ombros levemente curvados pela dor dos pontos que ainda cicatrizavam, mas com o olhar fixo em mim, buscando respostas para o abismo de tempo e distância que nos separou.— Sente-se, por favor — pedi com a voz calma, apontando para a beirada da minha cama. — Você ainda está se recuperando e essa conversa vai exigir muito de nós dois.Lorenzo obedeceu sem questionar. Ele caminhou devagar e acomodou-se na borda do colchão, apoiando as mãos sobre os joelhos. Caminhei até a janela, puxei a cortina leve para permitir que a luz do sol entrasse e sentei-me na poltrona, ficando de frente para ele, mantendo uma distância segura, porém íntima.Respirei fundo, sentindo o perfume familiar dele preencher os meus pulmões e me dar a coragem necessária para revisitar o passado.— Depois daquele dia na sua empresa
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