Eu estava tentando parecer normal. Estava tentando respirar de um jeito que não entregasse que meu corpo inteiro estava traindo minha tentativa de parecer uma pessoa funcional, mas o tremor nos dedos era pequeno demais para eu controlar e grande demais para passar despercebido.A mão de Arthur, ainda segurando a minha, deu um leve apertão. Um apertão que entendi como “tudo bem, está tudo sob controle”.Mas eu não sentia que nada estava controlado.E então ele falou.— Policial Lima, minha noiva passou por um momento traumático com uma arma apontada para a cabeça dela — a voz saiu com aquela calma de médico em emergência, firme e sem espaço para contestação. — Estive a tarde toda tentando distrai-la um pouco, mas, como pode ver, só de mencionar o assunto ela começa a ter uma crise nervosa. Então, agradeço pelo serviço que vocês vêm fazendo, mas não. Ela não vai depor. Prefiro resguardar a saúde dela nesse momento.— Entendemos a situação, senhor Sartori — o policial disse, com aquela p
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