Acontece que Arthur Sartori era um idiota. Um idiota que claramente não ligava a mínima para o que as pessoas falavam pelas costas, porque fez questão de me colocar para trabalhar... diretamente com ele.Então, além de supervisor do programa, ele também tinha virado o médico responsável por mim.O que, na prática, significava que vínhamos passando quase todas as tardes juntos. Entre rondas, prontuários, pacientes, orientações e corredores longos demais, eu tinha passado a conviver com Arthur em doses muito mais perigosas do que o recomendado por qualquer bula de bom senso. E frequentemente acabávamos sozinhos entre uma enfermaria e outra, ou entre um paciente e uma pausa curta demais para o meu coração fingir que aquilo era normal.Hoje, porém, era sexta-feira.E sexta-feira era, tecnicamente, o dia de folga do Arthur.Digo tecnicamente porque, como ele nunca tirava folga de verdade, eu sabia que ia passar o dia enterrado em alguma pilha de documentos, relatórios, reuniões e questões
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