POV ZOEQuando o primeiro dia terminou, eu estava cansada.Mas era um cansaço diferente.Não aquele cansaço de fugir, de perder, de chorar em silêncio num banheiro, de passar fome e segurar dignidade com os dentes. Era outro. O corpo pesado, os pés doloridos, os braços sentindo o trabalho repetido, a cabeça cheia de nomes, panelas, bancadas, facas, ordens e o rosto ainda quente do vapor da cozinha.Cansaço de quem fez alguma coisa.Cansaço de quem, no fim do dia, pode olhar para as próprias mãos e saber que usou cada dedo para avançar um centímetro que fosse na direção certa.Eu aceitaria esse tipo de exaustão por muito tempo.Saí pelos fundos do Napolitano já com a luz da tarde descendo para aquele tom mais dourado que deixa Nápoles bonita demais para ser totalmente confiável. O restaurante não funcionava até tarde, o que me pareceu uma bênção. Começava cedo, ganhava vida com o almoço, segurava o ritmo até o fim do dia e me devolvia o suficiente para eu ainda ter tempo de ser mãe.Is
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