POV ZOENo fim do expediente, eu já estava cansada o suficiente para não querer pensar.O que, claro, significava que a vida ia me obrigar a fazer exatamente isso.Saí pelos fundos do Napolitano esperando o mesmo de sempre: o carro parado mais adiante, o motorista me esperando e o resto do caminho mergulhado naquele silêncio torto que Raul parecia usar como se fosse língua oficial.Eu tinha até me permitido acreditar que, depois de ele voltar para a empresa, talvez eu voltasse a ter paz.Não tive.Ele estava lá, como nos outros dias.Encostado no carro, de camisa escura, mangas dobradas até o antebraço e aquela expressão séria que, ultimamente, já não me dizia tanto quanto antes. Antes Raul fechado significava só frieza. Agora parecia um homem brigando com a própria cabeça e perdendo.Parei por um segundo antes de chegar.Ele abriu a porta para mim.— Entra.Suspirei.— Você percebe que essa palavra já perdeu completamente o efeito, não percebe?O canto da boca dele quase se mexeu.Qu
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