POV ZOEAcordei antes do sol nascer direito.Não porque tivesse dormido muito.Nem porque estivesse descansada.Acordei porque meu corpo já sabia: quando a vida finalmente abre uma fresta, você levanta antes que ela feche de novo.Fiquei alguns segundos olhando o teto do quarto, imóvel, ainda sentindo o peso morno de Lira encostada em mim. Minha filha dormia atravessada no meu braço com aquela entrega total das crianças pequenas, como se o mundo inteiro ainda fosse um lugar que pode ser confiado sem medo. Uma perna jogada sobre o lençol, os cabelos espalhados no travesseiro e a respiração curta, certinha, de quem não sonha com boleto, vergonha, contrato, patrão, futuro e o tipo errado de calor masculino.Melhor assim.Respirei fundo.Não dei espaço para pensar no cruzeiro.Meu corpo até tentou puxar uma lembrança, mas cortei antes que ela ganhasse forma.Não.Hoje não.Hoje era trabalho.E, pela primeira vez em muito tempo, eu tinha alguma coisa concreta me esperando do lado de fora d
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