O Bebê e o SilêncioA mansão respirava um silêncio quase sobrenatural naquela tarde. O vento sussurrava pelas frestas das janelas, balançando cortinas pesadas e criando sombras que se moviam lentamente pelo chão. Mas, entre aquelas paredes, havia um som que quebrava a quietude: Lucca, no colo de Helena, soltava pequenos gritinhos misturados a risadinhas, como se tivesse descoberto um mundo novo.Davi, sentado ao lado dela no tapete, batia palminhas e ria. Cada gesto dele era uma vitória silenciosa sobre o medo que carregava desde a rua. Olhar para os dois assim, juntos, era como ver o mundo se abrir, lentamente, entre as mãos de Helena.Arthur permanecia parado na entrada da sala, observando cada movimento. A princípio, ele sentiu um desconforto familiar, a sensação de não saber o que fazer. Mas, à medida que via Helena interagir com os meninos, o corpo dele começou a reagir de forma involuntária: os ombros relaxaram, a respiração ficou mais profunda e lenta, e os olhos, antes
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