Cicatrizes AbertasA noite caiu pesada sobre a mansão, silenciosa, exceto pelos sons suaves da cidade que escapavam pelas janelas entreabertas.Helena deitou-se no quarto de hóspedes improvisado, tentando se concentrar na respiração.O coração ainda pulsava acelerado, carregado de tensão acumulada durante o dia com Davi e Lucca.Mesmo no silêncio do quarto, o passado não descansava.Ela fechou os olhos e, por alguns segundos, a tranquilidade parecia possível.Mas então, veio o cheiro. O cheiro do álcool e do cigarro do padrasto, misturado à umidade da casa onde passara tantos anos aprisionada.O cheiro trouxe lembranças instantâneas: Portas que batiam, gritos, um aperto no braço, olhares intimidadores e mãos que deveriam proteger, mas que machucavam.— Não, não de novo. Sussurrou, a voz falhando, quase inaudível.O corpo reagiu antes da mente: Suor frio, mãos trêmulas, respiração rápida, o estômago se contraiu.Ela se encolheu debaixo do cobertor, sentindo o colchão duro pressiona
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