A noite cai como um peso sobre o mundo, densa, abafada, sufocante e Helena percebe que algo está errado no instante em que Davi começa a se remexer em seu colo. Ele não chorou ainda, mas seu corpo está quente demais, quente de um jeito que faz o medo subir pela garganta dela como um incêndio.Estão abrigados numa estrutura de concreto abandonada, onde o vento entra por frestas malditas que nunca param. Um lugar úmido, frio, que irrita os ossos. Helena o manteve coberto com o casaco mais grosso que conseguiu juntar, mas agora o tecido parece inútil.Davi se agarra na camisa dela, como se não conseguisse encontrar ar suficiente no mundo.— Ei, pequeno… Ela murmura, encostando a testa na dele.A temperatura do menino a assusta. Ele arde. Uma febre viva, pulsante, feroz.Ela o pega com as duas mãos, sentando-se direito, o coração disparando. O menino abre os olhos só até a metade. Pupilas vacilantes, pesadas, perdidas. Ele tenta dizer alguma coisa, mas o som sai arrastado.— He…
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