POV Nikolai VolkovO relógio de parede da cozinha, um Patek Philippe de platina, movia-se em um silêncio absoluto. O ponteiro dos segundos não emitia um ruído sequer, mas eu sentia a passagem do tempo como o gotejar de ácido sobre mármore. Eu estava parado diante da bancada de granito negro, observando a chaleira de cobre atingir o ponto exato onde as bolhas começavam a dançar no fundo da água. O vapor subia, embaçando as lentes da minha visão periférica, mas eu não me movia.Meus dedos, calejados pelo atrito do aço e marcados por cicatrizes que contavam a história de cada traição que eu já havia silenciado em Moscou, pegaram a caixa de chá de camomila. Era uma marca russa, colhida em solo gelado, o tipo de coisa que a Baronesa bebia quando éramos apenas ela e eu contra o resto da escória.Pinguei três gotas exatas de mel. Nem uma a menos para não ser insosso, nem uma a mais para não disparar a náusea dela. Eu conhecia a fisiologia de Katerina Sokolo
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