POV Katerina Sokolov O cheiro do medo engravatado era sutilmente diferente do cheiro do pânico nos becos do submundo. Ele não cheirava a urina ou asfalto sujo; cheirava a colônia Tom Ford vencida pelo suor frio, a couro italiano úmido e a café expresso azedando no estômago. Eu estava sentada na cabeceira de uma imensa mesa de vidro temperado no nonagésimo andar do edifício corporativo mais caro de Wall Street. Através das paredes panorâmicas, a ilha de Manhattan se estendia sob um céu nublado, uma maquete de concreto pronta para ser comprada, demolida e reconstruída à minha imagem. À minha frente, três dos maiores magnatas do mercado imobiliário de Nova York tentavam, sem sucesso, disfarçar o tremor nas mãos. Eu não usava vermelho hoje. Vestia um terninho de alfaiataria branco-gelo, com a jaqueta propositalmente aberta para acomodar a curva do meu ventre, e as duas alianças — a de diamantes negros de Nov
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