POV Victor Vance A escuridão do quarto de hóspedes na ala oeste já não era total. Uma fresta estreita e pálida de luz cinzenta conseguia penetrar pela junção das cortinas blecaute, cortando a penumbra como a lâmina de uma faca. O relógio digital sobre a escrivaninha arruinada marcava seis e quatorze da manhã. As nossas setenta e duas horas haviam acabado. O mundo real, com a sua política asquerosa, as suas alianças frágeis e a mentira que crescia no andar de baixo, estava prestes a bater à porta. Eu estava deitado de costas, acordado há horas, com o braço esquerdo servindo de travesseiro para Katerina. Ela dormia profundamente, o rosto pálido e sereno descansando contra o meu peito nu, a respiração quente e rítmica batendo sobre o meu coração. O lençol escuro cobria apenas a metade dos nossos corpos emaranhados. O quarto ao nosso redor parecia a zona de impacto de uma explosão nuclear. Móveis fora do lugar, tecidos rasgados, vidros quebrados.
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