O edifício da clínica do Dr. Mendes não se parecia em nada com um hospital convencional. Não havia o cheiro penetrante de antisséptico ou o brilho estéril das luzes fluorescentes. Em vez disso, o ambiente exalava um luxo discreto, com paredes revestidas de painéis de nogueira, poltronas de couro legítimo e uma música clássica que fluía suavemente pelo sistema de som oculto. No entanto, para Helena, cada detalhe daquela sofisticação era uma camada a mais na sua asfixia.Ao entrarem, Eros não soltou o seu braço. A mão dele, firme e possessiva, guiava-a pelo saguão como se ela fosse uma peça de cristal valiosa e, ao mesmo tempo, uma prisioneira perigosa. Ele não precisou se identificar na recepção; a sua mera presença física, imponente e absoluta, fez com que as atendentes se agitassem em reverência imediata.— O Dr. Mendes já a aguarda, Sr. Cavalcanti — disse uma das moças, com um sorriso treinado que não chegava aos olhos.Eles foram conduzidos a um consultório vasto, onde o Dr. Arn
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