A porta do carro foi aberta por Augusto. Lua saltou para fora, passando pela mão de Eros estendida para ela, sem nem ver. O silencioso senhor Viriato, o mordomo e administrador da propriedade, estava esperando às portas da casa em sua postura formal de sempre.Lua correu até ele, o ar da mansão a atingiu, entrou depressa, quase tropeçando no próprio sapato, ignorou os passos que vinham atrás dela . As lágrimas já turvavam sua visão, transformando as colunas claras, os degraus, os funcionários discretos e os jardins impecáveis em uma mancha confusa de luxo e desespero.— Lua — Eros chamou novamente, mais firme.Mas ela não parou.Se parasse, desabaria ali mesmo, diante dos funcionários, e de Eros com a verdade nas mãos.Atravessou o hall da mansão como se estivesse sendo perseguida por sombras infernais. O som dos saltos contra o piso polido ecoava alto demais, denunciando o pânico que ela tentava conter sem sucesso, ela os abandonou em algum lance de escada.Não sabia para onde ia até
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