Lua viu pelo vidro lateral os seguranças se moverem tarde demais.Um deles levou o rádio à boca, o outro deu alguns passos na direção do veículo, mas o portão lateral já se abria, e o carro passou por ele com uma naturalidade que não parecia fuga, apenas mais um deslocamento autorizado por alguma brecha no caos da noite.A mansão Bitencourt começou a ficar para trás, enorme e iluminada entre as árvores, e Lua sentiu uma dor absurda ao perceber que parte dela queria que alguém a impedisse de verdade.Mas ninguém impediu.Eros estava ocupado demais com os Vila Real.O portão se fechou atrás do carro, e só então ela desabou.Um choro baixo, comprimido, quase silencioso, desses que machucam a garganta porque a pessoa ainda tenta preservar um pouco de dignidade mesmo quando já não resta quase nada. Lua procurou um lenço dentro da bolsa, encontrou um pacote amassado entre os documentos e o celular, puxou uma folha com dificuldade e enxugou o rosto, primeiro por baixo dos óculos, depois nas
Ler mais