Renato freou bruscamente, dessa vez, o carro quase parou.Lua foi lançada levemente para a frente, presa pelo cinto, e um som de susto escapou antes que pudesse conter. Renato virou o rosto um pouco, o bastante para que parte do perfil aparecesse, rígido e sombrio.— Cuidado com o que diz, Lua. Eu disse que mudei, mas não posso te mostrar se continuar agindo desse jeito. Lua ouviu o eco de suas lembranças. Das noites horríveis repletas de ameaças e advertência. Sentiu o corpo reagir como antes, ombros contraídos, garganta fechada, vontade de pedir, implorar que ele parasse com aquilo. Mas, junto dessa memória, veio outra, a de Eros segurando seu queixo diante do mar, dizendo que ela merecia viver tudo.Iara sorrindo no provador, dizendo que a vida era curta demais para não se permitir.Ela mesma dançando no restaurante, movendo os quadris, rindo, aceitando ser vista por todos.Não era a mesma mulher que Renato menosprezou, humilhou, torturou e abusou, durante a maior parte de sua vid
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