Lua não sabia o que dizer, as palavras pareciam espalhadas dentro da cabeça, sem formar frase alguma. Ela piscou uma vez, depois outra, enquanto tentava encontrar um ponto seguro no ambiente. A chaleira, o vapor subindo da caneca, a colher sobre o pires, o vaso de hortelã, a borda da mesa, qualquer coisa que não fosse o rosto daquela mulher sorrindo como se não tivesse acabado de invadir seu refúgio.Seu estômago se contraiu, a língua parecia uma lixa. O pulso começou a bater em uma velocidade absurda no pescoço, e Lua teve consciência desagradável de cada reação do próprio corpo.Os dedos tremiam ao redor da caneca.Os joelhos pareciam leves demais, um zumbido baixo se formou em seus ouvidos, e ela precisou respirar devagar para não parecer desesperada.— Eu... — começou, mas a frase morreu.Nádia não pareceu se incomodar com o silêncio. Pelo contrário, acomodou-se nele com naturalidade. Levou uma das mãos ao ventre, acariciando-o com uma delicadeza ensaiada. O gesto era sutil, mas i
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