Maya Nogueira Os últimos dias passaram como um borrão de ansiedade e eficiência mecânica. Eu entrei em uma rotina quase automática: casa, hospital, escritório, casa. Em todos esses lugares, a sombra de Arthur Strauss parecia pairar. Ele, no entanto, tornara-se um fantasma absoluto. Não o vi em seu consultório, não ouvi sua voz pelos corredores e nem recebi uma única ligação pessoal. Ele havia me deixado ali, em compasso de espera, como se soubesse que o silêncio seria o meu pior castigo. Naquela tarde de sexta-feira, porém, o silêncio foi quebrado por um cartão de papel grosso, deixado sobre a minha mesa com a caligrafia impetuosa e inclinada que eu já tinha aprendido a reconhecer: “Te busco no horário combinado. Não se atrase.” Tão Arthur Strauss de ser. Sem um "por favor", sem um "seria um prazer". Apenas uma ordem, um fato consumado. Eu estava liberada mais cedo, uma cortesia que eu sabia ser puramente estratégica. Ele queria que eu tivesse tempo de me preparar, de me tran
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