Arthur Strauss A porta da sala de reuniões do conselho não se abriu; ela cedeu, como se o ambiente inteiro já estivesse esperando pela turbulência que eu representava. Ao entrar, o ar condicionado no máximo não foi suficiente para abafar o calor das intenções ali presentes. Havia dez homens e mulheres sentados em torno daquela mesa de carvalho polido, rostos esculpidos em preocupação corporativa, mas que, na verdade, só destilavam ganância.Meu pai estava na cabeceira, a expressão de pedra que ele vinha cultivando desde que eu me tornei, finalmente, alguém que ele não conseguia prever. Aos seus lados, os diretores financeiros e, é claro, o patriarca da família Marcel, observando-me com a severidade de quem acha que o contrato de sua filha foi rasgado antes mesmo de ser assinado.Maya caminhou dois passos atrás de mim. Ela estava profissional, o cabelo preso em um coque que a tornava ainda mais nítida, mas senti o tremor quase imperceptível de sua mão ao ajustar a pasta de documentos.
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