POV: MARINA O peso do corpo de Caio sobre o meu era a única coisa que me mantinha ancorada no presente. Durante meses, aquele quarto em Cascais tinha o cheiro de uísque barato e de derrota silenciosa. Mas agora, o ar estava carregado de algo diferente. O cheiro de sexo, suor e, estranhamente, de uma determinação que eu achava que o meu marido tinha perdido no dia em que vendeu a alma para o Diego. Eu o observava enquanto a respiração dele voltava ao normal. O rosto limpo, sem aquela barba por fazer que escondia a sua covardia, me fazia lembrar do homem com quem me casei. Mas eu não era ingênua. O Caio não mudou por amor; ele mudou por terror. E em Lisboa, o terror é um combustível muito mais eficiente do que o romance. — Marina... — ele murmurou, ainda com os olhos fechados, a mão descansando sobre o meu quadril. — Não fale nada, Caio — respondi, passando os dedos pelo cabelo úmido dele. — As palavras já causaram estragos demais. Apenas fique aqui. Eu olhava para o tet
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