POV: DIEGO Saí da casa do Caio sentindo o cheiro de pólvora no ar. Lisboa, lá embaixo, brilhava com aquela calma mentirosa de quem não sabe que o chão está prestes a abrir. Entrei no meu carro, mas não liguei o motor de imediato. Fiquei ali, no escuro, processando o espetáculo deplorável que tinha acabado de presenciar. O jantar foi um balé de máscaras. O Gustavo agindo como se fosse o dono do mundo, o Caio suando frio a cada gole de uísque, e a Helena... a Helena foi a grande surpresa da noite. Ver aquela mulher, que sempre foi o exemplo de paciência e elegância silenciosa, morder o pescoço do marido com aquela classe cirúrgica foi, no mínimo, revigorante. O meu celular vibrou no console. Era o Caio. De novo. Apertei o botão no volante para atender pelo viva-voz. Eu já sabia o que vinha: desespero, gratidão barata e medo. — Diego? O dinheiro entrou — a voz do Caio veio trêmula, carregada de uma ansiedade que dava para sentir pelo sinal de satélite. — Mas... a Helena.
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