A reação do consórcio imobiliário não tardou, mas veio carregada de uma desorientação que Helena achou deliciosa. Para eles, uma obra de arquitetura era um fluxo de suprimentos vindo de grandes armazéns. Eles não estavam preparados para a agilidade de uma rede.Na manhã seguinte, o canteiro do Bom Retiro parecia uma colmeia. Dezenas de caminhonetes de pequeno porte, trazidas por serralheiros, metalúrgicos e donos de oficinas mecânicas do bairro, começaram a descarregar caixas contendo os conectores modulares de aço e as peças de encaixe.Helena caminhou pelo terreno com o seu telefone celular em mãos, filmando o movimento. O som era caótico — o tilintar do metal, o burburinho das pessoas, a música tocando nos rádios das oficinas —, mas para ela, era a sinfonia perfeita de uma obra sendo construída de baixo para cima.No outro lado da rua, um carro preto observava. Dentro dele, o Dr. Marcelo Couto, o advogado do consórcio, parecia incrédulo. Ele via as peças serem montadas com prec
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